De Capsule Corporation - Tudo sobre Dragon Ball
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Esta é a primeira de uma série de entrevistas que Akira Toriyama concedeu para os guias Daizenshuu.
Foi publicada no primeiro volume, o de ilustrações.
Todos os textos e imagens deste artigo (com excessão desta introdução, logicamente) são tirados diretamente das páginas desta entrevista.
Aproveitem.
DZ = Daizenshuu
TA = Toriyama Akira
"Após dez anos, apenas uma ilustração me deixou satisfeito."
(Frase de Akira Toriyama na imagem à direita.)
Quando se compara as aventuras e batalhas que Goku teve ao longo de dez anos e seis meses e a experiência de Akira Toriyama ao desenhá-los, pode se dizer que Toriyama tinha suas próprias aventuras e batalhas. Assim como Goku sempre procurou por adversários mais fortes, Toriyama sempre procurou evoluir.
(Texto introdutório desta entrevista na imagem à direita.)
DZ: Já que este volume é uma coleção de ilustrações de Dragon Ball, eu achei que as perguntas deveriam ser voltadas às ilustrações. Você acha que fez alguma mudança deliberada em seus desenhos entre Dragon Ball e o anteriormente publicado Dr. Slump?
TA: Sim, eu realmente não gosto muito de seguir o mesmo padrão, então eu mudo o estilo de desenho para se adequar à história. Por causa disso, se você me pedir para desenhar algo no estilo de Dr. Slump, com certeza eu consigo desenhar. Eu apenas uso traços mais redondos.
Quando eu cheguei à segunda metade de Dragon Ball, eu já estava mais interessado em pensar na história do que em desenhar as imagens. Então eu acomecei a não enfatizar muito nas imagens. As batalhas se tornaram intensas, e gradualmente eu mudei para traços mais simples.
De qualquer forma, eu não gosto de fazer sempre as mesmas coisas. Eu sou fundamentalmente perverso desse jeito. Recebi cartas de leitores dizendo "Comparado à antigamente, o traço está muito quadrado agora. Era melhor como era antes", então eu resolvi deixar o traço mais quadrado. (risos)
Entretanto, no início eu não tinha muita confiança nas minhas cenas de batalha. Eu nunca havia feito desenhos com "movimento". Isso é porque eu comecei com ilustrações. Foi muito difícil fazer o primeiro Tenkaichi Budoukai.
DZ: Há rumores de que você não mantém qualquer material de referência no seu estúdio, mas quando você começou a desenhar cenas de batalha, o que você tinha no estúdio para consultar?
TA: Sim. Como é que foi mesmo? Eu acho irritante quando as pessoas olham outros mangas para pegar idéias. (risos) Mas coisas como filmes que eu assisti há muito tempo ficam na minha cabeça, então talvez eu os tenha usado.
Acho que os filmes foram o que mais me ajudaram mesmo. Adoro filmes desde muito tempo atrás.
DZ: Você ainda assiste muitos filmes?
TA: Eu não vou ao cinema desde que meu filho nasceu. Eu só assisto filmes na televisão ou alugo qualquer um que pareça interessante. Não importa o gênero. Geralmente eu deixo a televisão ligada enquanto estou trabalhando. E por causa disso, eu não posso assistir nada com legendas, porque senão eu não conseguiria trabalhar. (risos) Eu fico trabalhando e vou assistir quando eu escuto a música de alguma cena interessante. Filmes que faço questão de ver me concentro assistindo. Fora esses, eu simplesmente deixo passando.
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DZ: Algum desses filmes se tornou referência para Dragon Ball?
TA: Particularmente eu não fiz isso conscientemente. Quero dizer, eles não são úteis à medida que a história passa. Mas eles são boas referências para saber como mostrar algo, como explosões por exemplo. Não é apenas um "bang", mas um flash de luz seguido por um som de "BOOOM!".
DZ: Falando nisso, as batalhas ficam muito intensas.
TA: Isso é definitivamente uma influência do rítmo das lutas dos filmes do Jackie Chan.
Eu uso materiais de referência depois, quando eu estou desenhando coisas como carros ou aviões. Modelos de plástico são úteis para isso, porque você pode olhar para ele de vários ângulos diferentes.
DZ: Eu sempre achei incrível a forma caricata como você desenha carros.
TA: Sim, eu faço isso porque se você desenhar um carro exatamente como ele é, vai levar muito tempo. E se você não o desenhar com precisão, ele vai acabar ficando completamente fora de forma. Mas se você o desenha de forma caricata, não tem problema se algumas coisas ficarem fora do lugar. De qualquer forma, eu tento de tudo para acabar o meu trabalho mais cedo. (risos) Bem, meu mangá é um mangá cômico e os personagens são todos seres humanos deformados, então seria estranho se todas as outras coisas não fossem deformadas também.
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DZ: Além dos veículos do mundo real, muitos veículos originais aparecem em Dragon Ball.
TA: Acho que o mais divertido é inventar maquinas novas (risos) Eu os desenhei pensando em como entrar neles e onde fica o seu motor e outras coisas mais.
Claro que quando você desenha carros e coisas que existem no mundo real, você tem que buscar referências todas as vezes que for desenhá-los. Mas com as coisas que eu inventei, eu não tenho esse problema, porque você não poderá dizer nada. (risos) Já que eu pensei nisso, eu posso apenas dizer que está bom do jeito que está. (risos)
DZ: Agora eu gostaria de lhe perguntar sobre as cores do seu trabalho. O que você usa para colorir?
TA: Uma tinta chamada "Ruma". Um mangaka shoujo me falou sobre isso há um tempo. Até então eu estava usando canetas coloridas à base de água que saíam tremidas e dissolvidas na água. Isso fez com que cobrir uma área muito grande fosse muito difícil. Então quando eu usei essa tinta, pensei "Ah, existe algo tão útil assim? Agora eu posso molhá-la sem tremer." (risos)
DZ: Por falar nisso, qual a sua cor favorita?
TA: Verde. Um genuíno verde italiano. Ou laranja, ou amarelo.
DZ: Quando você diz amarelo ou laranja, quer dizer as cores do dougi do Goku?
TA: Sim. Mas eu não fiz o dougi dele desta cor porque eu gostei, e sim porque era a cor dos dougi usados por monges budistas que treinaram na China. Eram as cores específicas da China.
DZ: Quando você está pensando em um novo personagem, você pensa neles a partir de um modelo e personalidade? Ou a partir de alguma imagem?
TA: Eu penso na história e no modelo, e então eu penso na sua personalidade, e finalmente eu o desenho. Eu acho que é o tipo de postura que eu tenho.
Depois que eu fiz um desenho do Cell, eu pensei "Que droga!" Eu pensei que eu já havia terminado o manuscrito, mas eu ainda não tinha desenhado aquelas manchas no corpo dele (risos); isso acontecia muito. É por isso que nunca fiz personagens com retículas, exceto por aqueles com papéis menores. Não é que eu não goste de retículas, eu quero usá-las. Mas é difícil para mim, então eu não posso. (risos)
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DZ: Você pensa no esquema de cores para as roupas e corpo dos personagens enquanto desenha eles em preto e branco?
TA: Sim, mas eu não faço isso conscientemente. Quando eu estou colorindo, eu penso "É mais ou menos dessa cor". Porém, eu geralmente não verifico de novo personagens que eu já colori antes, então às vezes eu acabo usando cores diferentes das que eu usei antes. (risos)
DZ: Neste livro, podem-se ver todas as imagens em ordem cronológica. O seu toque particular e a sua maneira de pintar mudaram com o passar dos anos.
TA: Mas eu não fiz isso conscientemente. Isso basicamente muda sem eu perceber. Mas se eu olho um tankoubon ou qualquer coisa de um ano atrás, eu penso “Ugh! Isso ficou mal feito.”
DZ: Depois de um ano?
TA: Sim. Eu penso "Ah, acho que eu evoluí muito." (risos) Até mesmo imagens de pouco tempo atrás eu acho estranhas. Por exemplo, mesmo com um manuscrito de cerca de meio ano atrás, eu acho o design estranho. Com manuscritos coloridos também, depois de ter pintado eu penso “Ah, eu errei”.
DZ: É mesmo?
TA: Se eu tivesse tempo, eu gostaria de tentar corrigi-los. Mas eu nunca tenho tempo. (risos)
DZ: A maneira que você colore também mudou um pouco.
TA: Sim. Por exemplo, antigamente eu sombreava as porções de luz no cabelo, mas isso toma muito tempo. Quando eu fiz um anime chamado Kosuke-same Rikimaru-sama (exibido no Jump Anime Carnival em 89, e mais tarde se tornou um Jump Video), eu olhei as imagens do animador Toyoo Ashida, e eu pensei que a aplicação de luz e sombra no estilo anime não era ruim. Eu comecei a colorir as minhas ilustrações dessa forma a partir de então.
A verdade é que o Sr. Ashida é alguém que eu sempre respeitei.
DZ: Para os esquemas de cores, como você decide que tipo de estilo fazer? Você apenas pinta vários rascunhos ou algo assim?
TA: Eu basicamente pinto uma vez. Eu decido qual cor irá cobrir a maior área e isso determina o resto. Com Goku ou outro personagem cujas cores já foram determinadas, isso determina a cor de fundo que eles terão.
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DZ: Quando você está desenhando uma ilustração, você consegue fazer desde o rascunho até colorir em uma única sessão?
TA: Eu costumo fazer isso em uma única sessão. Quando eu desenho, eu ainda coloco todo o meu empenho nele. Eu fico extremamente concentrado. Eu ignoro os sons ao meu redor completamente.
Algum tempo atrás, eu estava desenhando uma ilustração, e as linhas estavam saindo todas onduladas. Eu pensei “Ah, minha mão ficou doida, o que há de errado com ela?” Então o stand começou a tremer, e eu disse "O quê?! Isso foi um terremoto!" (risos)
Mesmo se eu perco o sono, eu normalmente continuo a trabalhar até que eu tenha terminado tudo. Eu acho que eu não conseguia dormir se eu não estivesse com tudo pronto. (risos) Isso me irritava. Eu continuava desenhando nos meus sonhos. Quando eu acordava eu falava “Ah, eu apenas sonhei que havia terminado!” (risos)
Ilustração que mais satisfez Akira. | ||
DZ: Finalmente, em dez anos de Dragon Ball, com qual ilustração você está mais satisfeito?
TA: Aquela em que Goku e Gohan estão dirigindo uma coisa que se parece uma Harley com pernas (página 88 do Daizenshuu 1, ver imagem à esquerda). Essa é a única que se pode dizer que me deixou satisfeito.
DZ: Apenas uma ilustração nesses dez anos?
TA: Que eu me lembre, essa é a única ilustração em que tanto as cores quanto a composição saíram bem.
DZ: Agora que você mencionou, eu acho que você poderia dizer que conseguiu habilmente congelar um momento de movimento.
TA: Mas eu não acho que isso é tão impressionante assim. Quando eu desenho alguma coisa, o que mais me irrita é que não fica do jeito que eu imaginei. Eu acho que essa ilustração definitivamente tem a composição que eu imaginei ou a combinação de cores que eu imaginei.
Por eu ser fundamentalmente exigente e inconstante, eu quero desenhar diferente. Eu não perco interesse, então eu continuo tentando. É por isso que eu sempre acabo falhando. (risos) Eu sou capaz de não me satisfazer com isso. Mas eu reflito no que eu fiz, e faço progressos. Estou sempre refletindo. (risos)
DZ: Hoje foi um dia muito cheio, então muito obrigado.
(21 de abril de 1995 no Yamanoue Hotel



