Entrevistas

De Capsule Corporation - Tudo sobre Dragon Ball

Arquivo:TASI_4_1.jpg
Dados da Entrevista
Publicação Original Daizenshuu 4
Data 24de Julho de 1995
Tradução Mugen
Base da Tradução Kanzentai
(Inglês)
Revisão Enma Daiou
Base da Revisão Daizenshuu 4 (Original em japonês)




Esta é a quarta das entrevistas que Akira Toriyama concedeu para os guias Daizenshuu.
Foi publicada no quarto volume, o de ilustrações.
Todos os textos e imagens deste artigo (com excessão desta introdução, logicamente) são tirados diretamente das páginas desta entrevista.
Aproveitem.

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DZ = Daizenshuu
TA = Toriyama Akira


"Um mundo onde nada seria estranho, não importa o que acontecesse."
(Subtítulo desta entrevista)

"Depois de ter decidido o cenário e começado a desenhá-lo, eu fiz do mundo um ambiente que não seria em nenhum lugar na realidade."
(Frase de Akira Toriyama na imagem à direita.)

O mundo de Dragonball que Akira Toriyama criou, onde Goku, Vegeta, Bulma, Piccolo e os outros viveram suas aventuras, tem perspectivas peculiares sobre o universo, a vida e a morte. Akira Toriyama fala sobre os segredos do mundo Dragonball, um lugar pelo qual os leitores podem até sentir um pouco de nostalgia!
(Texto introdutório desta entrevista na imagem à direita.)

DZ: Já que o quarto livro da nossa série é um "World Guide", eu pensei em focar minhas questões na discussão da visão de mundo Dragonball. Primeiro: a Terra que aparece em Dragonball é consideravelmente diferente da Terra real.

TA: Sim, todos os mangas que eu desenhei até agora são em mundos que, na verdade, não são em lugar nenhum, desde meu primeiro trabalho. Com a Vila Pingüim [de Dr. Slump] também, embora seja dito que se passe na Terra, você não sabe onde está localizado... Cashman (publicado, no Japão, na revista V-Jump) foi em mundo ligeiramente mais real, mas também não está localizado em nenhum país específico.


DZ: Por que você decidiu ambientar suas histórias em mundos que não são, na realidade, em lugar nenhum?
TA: No final, foi porque é fácil. Praticamente com tudo, eu escolho meu critério baseado no que pode ser fácil. Seu eu colocasse o mundo real como cenário, teria que desenhar olhando materiais de referências para coisas como construções, veículos... Quando você faz isso, as pessoas reclamam mesmo se estiver só um pouquinho diferente.

DZ: O normal é pensar que seria mais fácil desenhar com materiais de referência...
TA: Você acha? O fato parte de não ter que olhar nenhum material de referência permite que eu desenhe uma história onde eu decido livremente as regras. Por isso faço num mundo que não existe.

DZ: Você não olha material de referência nem mesmo para os cenários?
TA: Basicamente, não olho para eles. Apesar de que, no início, eu olhei para construções chinesas e coisas do tipo. Quando a serialização começou, eu quis mudar completamente a imagem que eu tinha feito até então em "Dr. Slump". Já que "Dr. Slump" tinha um jeito meio “Costa Oeste Americana”, eu quis mudar completamente dessa vez e fazer um manga Oriental. Nessa época, minha esposa estava interessada na China, e eu desenhei olhando os livros de fotografia chinesa que ela comprou. Depois, com os cenários do Tenkaichi Budokai também, eu coloquei muito esforço para desenhá-los. Antes de a serialização começar, minha família e assistentes foram a Bali. Papaya Island, onde o Tenkaichi Budoukai se passa, é completamente modelada a partir de Bali. Eu consultei muito as fotos que eles tiraram na viagem e fui capaz de criar as construções e o resto. Por causa disso, foi incrivelmente difícil! (risos) Porque depois eu tive que desenhar os cenários do Tenkaichi Budokai inúmeras vezes e nessas horas eu sempre tinha que consultar materiais de referência (risos).

DZ: Depois disso houve algum outro cenário que você consultou materiais de referência para fazer?
TA: Sim, apesar de não serem muitos depois disso... Ah, sim, para o lugar onde a nave de Babidi foi enterrada, eu consultei um livro de fotos da África. Eram fotos que davam uma impressão incrível de solidão, e eu desenhei um arranjo disso. Na segunda metade da história, os cenários estavam cheios de àreas não habitadas, então foi difícil desenhar cada um deles de maneira diferente.

DZ: Olhando pra eles com isso em mente, mesmo que todos possam ser chamados de não habitados, todos eles se tornaram paisagem diferentes.
TA: Isso mesmo. Eu tentei dar a eles aspectos diferentes, mudando coisas como o formato das rochas ou as montanhas ao fundo. Eu precisei analisar muito nessa parte. Eu tinha que saber como o próximo cenário iria ser diferente dos lugares anteriores, porque, depois de tudo, ter o mesmo cenário não é bom.

DZ: Durante a história, lugares desertos, onde ninguém vive, apareciam a toda hora.
TA: Considerando isso, seria difícil se Goku e os outros lutassem no meio de uma cidade. Eu teria que desenhar os habitantes que vivem ali e os prédios acabariam sendo destruídos... É por isso que a qualquer hora que estivessem para lutar, Goku e os outros iriam querer ir para algum lugar desabitado (risos). Eles apenas usam o Bukujutsu (Técnica de vôo) como isso tivesse sido combinado antes da hora. Agora que você mencionou, quando Goku e os seus aliados aprenderam o Bukujutsu e foram capazes de voar, avançar na história ficou realmente fácil.

DZ: O que você quer dizer?

TA: Porque todo mundo estava capaz de voar rapidamente para qualquer lugar. É por isso que imaginar o desenvolvimento da história ficou fácil, e acima de tudo o progresso da história ficou ligeiro. Falando também sobre os desenhos, propriamente ditos, eu fui capaz de mostrar coisas de um ângulo vendo o cenário de cima. Foi por isso também que, inicialmente, eu introduzi a Kintoun. Até ali, eles tinham que arranjar aviões e carros, um por um, e isso foi realmente cansativo.



DZ: Eu suponho que o Shunkan-idou tenha sido a técnica definitiva para isso...

TA: Sim, isso está certo. Ele foi para o Planeta do Senhor Kaio e para a nova Namekusei. Depois de ele ser capaz de usar o Teletransporte, as variações no estilo de lutar do Goku também aumentaram.

DZ: Eu imagino que ficar pensando nas cenas de batalha deveria ser difícil cada vez.

TA: Sim. Com as batalhas também, eu não poderia fazê-las sempre da mesma maneira No começo, quando Goku era pequeno, ainda era fácil. Mas na segunda metade quando as batalhas começaram a gradualmente a se intensificar, eu pensei em mais e mais técnicas incríveis. É por isso que foi divertido desenhar a luta entre Majin Buu e Gotenks. Eu pensei em técnicas estranhas, no espírito de uma gag manga.



DZ: Como você cria os nomes para os ataques especiais?

TA: Na verdade eu não gosto tanto de dar nomes para as técnicas... Numa batalha de vida ou morte, não há como você falar o nome de cada técnica. Você estaria acabado enquanto grita o nome dela! (risos) Porém meu editor me disse que seria melhor dar nome a elas. Minha esposa foi quem deu o nome Kamehameha. Eu estava com problemas, dizendo "O ataque especial do mestre Kame tinha que ser alguma-coisa-ha, alguma-coisa-HA..." e ela disse: "Kamehameha não seria bom?". Sim! Era bom, estranho e combinou com o estilo do Mestre Kame perfeitamente. Para os nomes dos golpes além do Kamehameha, pensei todos eles sozinho. Eu dei nomes que pareciam com o que aquele personagem específico escolheria. Então, alguém como Vegeta, pelo estilo dele, tem cara que colocaria nomes em inglês, nao acha? (risos) Os golpes do Piccolo ficavam imponentes em kanji.



DZ: Falando em Piccolo, você pensou desde o início na sua origem como um alien namekuseijin?

TA: É claro que eu não pensei nisso desde o início! (risos). Com os Saiya-jins foi a mesma coisa. Quando eu vim com a idéia da cauda do Goku e do Oozaru, eu não imaginei ele como um alien nem nada. Com Piccolo também, só pensei nele como um extraterrestre quando Kami-sama apareceu. Depois, tive que planejar isso para deixar consistente. Por exemplo, há a cadeira em Namekusei onde o Saichorou fica sentado. É quase a mesma cadeira que Piccolo Daimaou usava quando ele apareceu pela primeira vez, só estavam faltando as caveiras.



DZ: É verdade! Analisando, realmente tinham o mesmo formato.
TA: Eu pensei que, já que Piccolo Daimao certamente ainda tinha algumas memórias de quando ele estava em Namekusei, não seria esse o tipo de cadeira que ele iria fazer? Então criei a forma das construções de Namekusei e suas espaçonaves baseadas na cadeira do Piccolo Daimao. Quando eles foram à Namekusei, me falaram que "você falha quando faz os personagens irem para o espaço em um shounen manga. Então quando eu pensei em como fazer Namekusei, eu tentei deixá-lo precisamente consistente.

DZ: O “Outro Mundo” foi outro lugar além da Terra que veio a ser um dos cenários da história, depois de Namekusei. Que tipo de estilo você imaginou para o outro mundo?

TA: Para o templo do Kami-sama, comparativamente, eu dei um estilo misterioso. Pensei que seria bom, então, se o Outro Mundo fosse realístico. Então o Enma Daio e todos os Oni’s usariam terno, como salary-men. Eu acho que você pode ver isso olhando para o mapa mundi nesse livro, onde há algo chamado “O Aeroporto para Paraíso”. A história por trás disso é que as pessoas que vão para o Céu, vão todas de avião. Esse mapa completo na verdade foi originalmente informação que eu desenhei para o pessoal do anime, mas eu aproveitei a oportunidade para acrescentar o mundo do Kaiou Shin, que não estava incluído no mapa antes, para deixá-lo perfeito. Na verdade, todo esse mapa é algo que eu fiz depois de ter acabado de desenhar a história, para fazer tudo consistente (risos). Meu método é pensar na história primeiro e depois então venho com as informações de fundo do mundo para ser consistente com ele. Imagino que se eu fosse um artista de manga normal, do tipo que faz as coisas direito, primeiro eu planejaria nas informações do cenário e depois viria com a história. Dizendo isso, você pode pensar que eu não penso nada. Mas eu mantenho uma imagem vaga, mesmo antes de criar a história (risos) Mesmo se uma pessoa normal fosse fazer isso consistente, você certamente também é capaz de fazer.




DZ: Mesmo se uma pessoa normal fosse fazer isso consistente, você certamente também é capaz de fazer. Ouvindo você falar, eu gostaria de tentar espiar um pouco a sua cabeça. Muito obrigado por hoje!

(24 de Julho de 1995, em Kanazawa City, no Kankou Kaikan)


Observações

  1.  Publicado no Brasil pela Conrad em Marusaku 3
  2.  A Nuvem voadora de Goku
  3.  Teletransporte
  4.  Mangas que são focados mais nas piadas do que numa história contínua, como Dr. Slump
  5.  "HA" é uma das leituras do Kanji "波", que significa "ONDA"
  6.  
  7.  Ser que pode ser traduzido comparado com Demônios ou Ogros
  8.  É como são chamados os assalariados/trabalhadores comuns
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Página atualizada pela última vez em 20 de julho de 2010, às 17h55min. Página acessada 190 vezes.